Noutros casos, nos encontramos em situações nas quais há sofrimento, há angústia, mas não configuram qualquer coisa que seja insuportável de lidar. São exemplos disso aquelas dificuldades que temos de fazer escolhas; o cansaço mental derivado do excesso de pensamentos que nos paralisa; a procrastinação diante de objetivos e tarefas importantes; os impasses amorosos e familiares. Ainda assim, podemos dizer que são registros da nossa fragilidade e que, ainda que não sejam insuportáveis, merecem ser trabalhados em benefício de uma vida bem vivida.
Para todos os casos, entre tantas coisas que já foram criadas para o benefício da humanidade, temos a psicoterapia. Através dela alcançamos um espaço seguro para falar do nosso sofrimento. Sofrimento singular, diga-se de passagem, que não é igual ao de ninguém. É a partir da fala dirigida a um psicólogo que temos a oportunidade de contar a nossa história e lembrar dos acontecimentos quase despercebidos. Assim, o paciente constrói algo de si, elaborando e ressignificando suas dores. Nesse contexto, repensamos muita coisa, a ponto de poder dar um lugar – cada um no seu quadrado! – para as pessoas e os traumas que constituíram o nosso ser.
A psicanálise, enquanto dispositivo de tratamento psicológico, satisfaz os princípios éticos que se orientam a partir do desejo, e portanto, da singularidade do sujeito. Para tanto, prioriza a fala por meio da qual o sujeito é conduzido ao encontro de sua própria verdade, acarretando para si o esvaziamento de seus sintomas, ao passo que se depara com as possibilidades de fazer algo novo a partir do material que conta a sua própria história.