A pergunta “Psicanálise, pra que te quero?” nos coloca a possibilidade de uma resposta que, inicialmente, pode ser comentada a partir de dois aspectos supostamente distintos. O primeiro orientado ao desenvolvimento de uma teoria que contribui para a compreensão da cultura e da humanidade em seu movimento histórico-social. O outro aspecto considera a práxis de um saber fundado na clínica, através da escuta e do tratamento de sujeitos siderados pelo sofrimento, mal-estar e angústia. A bem da verdade, ambos os aspectos estão intimamente associados e mutuamente implicados, o que, de saída, nos dá a dimensão da complexidade que uma abordagem utilitária da psicanálise compreende.
Freud criou a psicanálise no momento que o saber preponderante sobre o psiquismo humano era baseado fundamentalmente na objetividade científica que se pretendia – e ainda é assim - reduzir a causa psicopatológica ao sistema orgânico. Seu método inovador priorizou a fala e a história individual, situando a psicopatologia no registro da constituição subjetiva de cada sujeito. A psicanálise se debruça, portanto, sobre o psiquismo humano, revelando o inconsciente à revelia de abordagens que tomam o indivíduo através do comportamento, da cognição e da consciência.